Esta peça conta um trecho do mito germânico do herói Siegfried, de quando ele é educado pelo anão Regin (pronuncia-se Rêguin) e luta contra o dragão Fafnir para recuperar o tesouro dos anões. Por fim, ele liberta a donzela que dorme cercada pelo fogo. Esse mito tem a ver com o caminho do ser humano, que sai pela floresta do mundo, desenvolve sua mente (a cabeça grande do anão), domina seu lado emocional, suas paixões (o dragão), recuperando o tesouro dos anões, que são, na verdade, os conhecimentos acumulados pela mente. Só então ele pode ir ao encontro de sua alma, de sua essência verdadeira (a donzela). Nesse trecho da peça, os versos do trabalho dos anões são um exercício de dicção e também servem para desenvolver a vontade, na força das consoantes. Consta do livro 3 da coleção Teatro na Escola.Leia as orientações pedagógicas.
Sugerida para crianças de 10 anos.
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PERSONAGENS: Coro dos Narradores (que é, na verdade, constituído pelas personagens) Sigmund, seu pai Volsung e outros familiares (quando se destacam do coro para a cena, são personagens mudos). Odin, o deus (igualmente mudo em cena) – disfarçado com uma capa e grande chapéu, além de trazer a espada. As três Nornas (seres mitológicos que representam Passado, Presente e Futuro) – trazem os fios com que tecem, ou algum tipo de pano rendado. Siegfried, filho de Sigmund. Sua mãe. Regin e seus anões Fafnir, o dragão (várias crianças compõem Fafnir). Os sete Pássaros. Chamas que cercam a donzela (várias crianças) Donzela.
INSTRUMENTOS: flauta e tambor, tocados por alguns dos Narradores.
OBJETOS: A espada de Odin; os fios das Nornas; o pedaço de tronco no meio da sala de Volsung; as três espadas que se quebram e a que não se quebra (esta pode ser a mesma do início da peça); podem ser imáginários o martelo e a forja de Regin, assim como a pá com que Siegfried cava o fosso.
NARRADORES (cantam): “Há tanto, tanto tempo, no tempo que o vento varreu da memória, passou-se a história da espada! Espada cravada no tronco plantado no centro da sala da casa de Volsung! Volsung!” (falam): – Volsung!... O herói gerado pelo deus Odin na terra dos homens...
(Os narradores tornam a falar. Então, a família de Sigmund se destaca do coro e vai-se movimentando para o centro da cena.)
NARRADOR 1: – Num dia festivo, ali se encontravam Volsung e seus filhos, e mais habitantes de terras distantes.
NARRADOR 2 (enquanto Odin aparece): – E então, de repente, no centro da sala, alguém aparece: é Odin disfarçado!
NARRADOR 3: – Sim! Odin! E crava a espada (Odin crava a espada) no velho carvalho do centro da sala.
(Enquanto os narradores falam, os homens que estão ali tentam tirar a espada do tronco.)
NARRADORES: – Se um homem bem forte pudesse arrancá-la, com ela ficava. Oh, quantos tentaram! Ninguém conseguiu?
(Sigmund consegue tirar a espada e a levanta enquanto os narradores falam)
NARRADORES: – Sigmund! Sigmund! O jovem filho de Volsung!
(Sigmund e os outros movimentam-se representando os acontecimentos narrados)
NARRADORES: – Graças à espada cravada, seus feitos ficaram famosos. Aonde ele ia, vencia. Os anos passando lutando, um dia morreu esse herói. A espada encantada partiu-se. A esposa, com todo o cuidado, guardou cada um dos pedaços.
(O grupo dos narradores vai-se desfazendo. À esquerda ficam a mãe de Siegfried e seus familiares. Saem do coro as três nornas, depois, aos poucos, os anões, Siegfried, e mais tarde os pássaros, as chamas e a donzela.)
NORNAS (tecem levemente com os fios): – Tecemos, tecemos, trançamos os fios, tecemos a teia de todo destino. Passado, Presente, Futuro, cuidamos da ordem do mundo.
NORNA 1 (enquanto as outras duas tecem): – Falemos, irmãs, falemos do que sabemos de tanto que tecemos!
NORNA 2 (enquanto as outras duas tecem): – Eu sei dos deuses que voam nas nuvens. Odin! Seu olho é o sol. Seu manto é o céu. Pelo arco-íris desceu à terra e gerou entre os homens os heróis!
NORNA 3 (enquanto as outras duas tecem): – Eu sei dos anões que vivem na escura floresta. Regin, o ferreiro, quando foi roubado do ouro guardado, viajou por tudo, ensinando aos homens a ciência do mundo. Regin, o ferreiro trabalha na forja. (Regin e os anões, à direita, trabalham) Só pensa no ouro roubado por Fafnir, gigante terrível!.
NORNA 1 (enquanto as outras duas tecem): – Eu sei que Fafnir agora tem a forma de um dragão e guarda a entrada da gruta onde está esse tesouro. Será que algum dia alguém vai conseguir derrotá-lo?
(As nornas de repente param de tecer e olham nos fios.)
NORNA 1: – Vejam! Nasce um herói!
NORNA 2: – É Siegfried, o filho de Sigmund!
NORNA 3: – E cresce... Cada vez mais forte!
NORNA 1: – Vamos tecer em silêncio. O jovem já se prepara para sair pelo mundo!
SIEGFRIED (entrando animadamente): – Eu quero partir! Partir para ver como é a floresta! (vai caminhando) Como é fechada, como é espessa, como se transforma a cada passo! Eu tenho pressa de atravessar a floresta!
(Ele pára ao encontrar os anões, que cantam no ritmo do trabalho de Regin.)
ANÕES (cantam enquanto Regin malha o ferro na forja): “Regin, Regin, trabalha na forja, na fornalha e na bigorna! Malha ferro o ferreiro, na forja, dá-lhe fio e dá-lhe forma!” (param ao ver Siegfried)
REGIN (dirigindo-se a Siegfried): – Eu sei quem é você: é Siegfried, o novo herói, filho de Sigmund.
SIEGFRIED: – Velho anão que tudo sabe. Ensine-me todas as suas artes!
(Enquanto os anões falam no ritmo, Regin e Siegfried fazem os movimentos que mostram o aprendizado.)
ANÕES: – Aprenda com Regin as artes que sabe: segredos de tudo que vai pelo mundo. Na forja, no ferro aprenda a forjar o fio e a folha na força do fogo!
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